Por que meu filho não ganha peso ou não quer comer?

O crescimento e o apetite dependem de vários fatores ao mesmo tempo. Entram a oferta de alimentos, a capacidade de digestão e absorção, a presença de doenças que consomem energia e a fase de desenvolvimento da criança.

Sintomas que costumam acompanhar o quadro:

  • Curva de peso estacionada ou em queda no gráfico de crescimento
  • Recusa alimentar frequente, principalmente de texturas ou grupos de alimentos
  • Refeições muito demoradas, com choro ou luta na hora de comer
  • Cansaço ou irritabilidade fora do padrão da criança
  • Fezes alteradas (muito volumosas, com gordura visível ou muito fétidas), em alguns casos

Quais são as causas mais comuns?

  • Oferta alimentar insuficiente ou inadequada para a fase (quantidade, consistência ou variedade)
  • Seletividade alimentar, comum na idade pré-escolar, dentro do desenvolvimento típico
  • Alergias e intolerâncias alimentares, como APLV e intolerância à lactose, que podem causar desconforto, recusa alimentar ou restrições na dieta
  • Doenças que aumentam o gasto energético ou prejudicam a absorção intestinal, como infecções recorrentes ou doença celíaca
  • Causas menos comuns, que exigem investigação dirigida pelo gastropediatra

Meu filho só come 3 coisas: isso é seletividade alimentar?

Muitas crianças, principalmente na idade pré-escolar, passam por uma fase de recusar alimentos novos. Preferem sempre os mesmos pratos e rejeitam texturas ou cores diferentes. Isso é chamado de seletividade alimentar. Na maioria das vezes, faz parte do desenvolvimento típico: é uma forma de a criança testar autonomia e controle.

O problema aparece quando a seletividade é tão restrita que compromete o crescimento. Ou quando elimina grupos inteiros de alimentos (como todas as frutas e verduras) ou traz grande sofrimento nas refeições. Nesses casos, vale avaliar com o gastropediatra se há algo além do comportamento. Juntos, dá para traçar estratégias para ampliar o cardápio aos poucos, sem forçar.

Como funciona a introdução alimentar a partir dos 6 meses?

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde, a introdução de alimentos deve começar por volta dos 6 meses. O aleitamento materno (ou a fórmula, quando indicada) continua junto com a nova alimentação. Alguns pontos importantes:

  • Começar com alimentos amassados ou em pedaços macios, respeitando o desenvolvimento motor do bebê.
  • Oferecer variedade de grupos alimentares desde o início: cereais, leguminosas, carnes, frutas e verduras.
  • Não oferecer açúcar nem alimentos ultraprocessados antes dos 2 anos, e usar pouco sal.
  • Respeitar o apetite do bebê, sem forçar quantidades.
  • Reapresentar alimentos recusados várias vezes — a aceitação costuma vir com repetição, não com insistência na mesma refeição.

Dúvidas sobre como iniciar, quais texturas usar e como lidar com engasgos são comuns nessa etapa. O acompanhamento com o pediatra ou o gastropediatra ajuda a construir um plano seguro para cada bebê.

O que fazer em casa enquanto observo?

  • Registre o peso e a altura periodicamente e leve a caderneta de saúde nas consultas.
  • Mantenha horários de refeição regulares, sem telas durante a comida.
  • Ofereça o alimento novo várias vezes, sem pressão ou punição.
  • Evite substituir refeições por leite em excesso, o que pode reduzir o apetite para sólidos.
  • Anote quais alimentos parecem causar desconforto, gases ou alteração nas fezes.

Quais sinais de alerta indicam que preciso procurar o gastropediatra?

Procure o gastropediatra se houver:

  • Curva de peso ou altura estacionada, caindo de faixa no gráfico de crescimento, ou em queda
  • Perda de peso franca
  • Vômitos persistentes associados à alimentação
  • Fezes com sangue, muco ou gordura visível
  • Diarreia ou constipação persistentes junto com a dificuldade de ganho de peso
  • Recusa alimentar extrema, com poucos alimentos aceitos e sinais de carência nutricional
  • Cansaço, palidez ou irritabilidade fora do habitual

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

A avaliação começa com o histórico alimentar detalhado, análise da curva de crescimento e exame físico completo. A partir daí, o gastropediatra pode pedir exames de sangue e avaliação nutricional. Quando há suspeita de alergia, intolerância ou doença que afete a absorção intestinal, podem entrar outros exames, em alguns casos a endoscopia digestiva. Veja como é a endoscopia pediátrica.

O tratamento é individualizado. Pode envolver orientação nutricional, ajuste da rotina alimentar e estratégias para lidar com a seletividade. Quando necessário, existem medicações que o gastropediatra pode indicar após avaliação.

Dra. Helen Osterne · Gastropediatra e Endoscopista Pediátrica · CRM-DF 19334 · RQE 19233
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Perguntas frequentes

Minha filha reclama de barriga inchada e solta muitos gases, isso tem a ver com o que ela come?

Pode ter, sim. Gases e barriga inchada costumam estar ligados a alguns alimentos, como leite, certos carboidratos que fermentam ou muita fibra de uma vez. Também podem sinalizar intolerância à lactose ou alergias como a APLV. Se o incômodo for frequente ou vier com alteração de peso, vale investigar com o gastropediatra.

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