Quais sintomas costumam vir junto com a diarreia?
Fique atenta ao conjunto de sinais, não só ao número de evacuações:
- Fezes mais líquidas ou pastosas, com aumento da frequência
- Cólica ou dor abdominal antes de evacuar
- Enjoo, vômitos ou falta de apetite
- Febre baixa, mais comum nos quadros virais
- Gases e barriga distendida
Diarreia aguda ou diarreia que não passa: qual a diferença?
Diarreia aguda é a mais comum. Começa de repente e dura poucos dias, em geral menos de uma semana. Na maior parte das vezes é causada por vírus e, menos comumente, por bactérias ou parasitas. Tende a melhorar sozinha, com hidratação adequada.
Diarreia persistente ou crônica, a “diarreia que não passa”, é aquela que dura mais de duas semanas ou que vem e volta de forma repetida. Esse padrão pede investigação. Pode estar relacionado a alergias alimentares, intolerâncias, infecções persistentes ou outras condições que afetam a absorção intestinal. Quanto mais tempo a diarreia persiste, mais importante é procurar o gastropediatra.
O que fazer em casa enquanto observo?
A prioridade número um em qualquer diarreia é manter a criança hidratada. Algumas orientações práticas:
- Ofereça líquidos com frequência, em pequenas quantidades: água, soro de reidratação oral, leite materno (se ainda amamenta).
- Mantenha a alimentação habitual da criança, conforme aceitação — não é preciso jejum.
- Evite sucos industrializados e refrigerantes, que podem piorar a diarreia.
- Observe o número de fraldas molhadas ou idas ao banheiro para urinar, como sinal indireto de hidratação.
- Não use nenhum medicamento antidiarreico ou antibiótico por conta própria.
Quais sinais de alerta indicam que preciso procurar o gastropediatra?
Procure o pronto-socorro se notar:
- Sinais de desidratação: boca seca, choro sem lágrimas, urina escassa ou ausente, moleira funda em bebês, sonolência excessiva
- Sangue nas fezes
- Febre alta persistente
- Vômitos que impedem a criança de ficar hidratada
- Criança muito abatida
- Dor abdominal muito intensa e constante
Agende avaliação com o gastropediatra se a diarreia durar mais de duas semanas ou for e vier repetidamente, ou se a criança perder peso ou parar de crescer.
Criança tem gastrite? E o H. pylori?
Sim, crianças também podem ter gastrite. Os sintomas mais comuns são dor na parte de cima da barriga, enjoo e sensação de estômago cheio.
Uma das causas possíveis é a infecção pela bactéria H. pylori, comum no Brasil. Nem toda criança com H. pylori tem sintomas. A decisão de investigar e tratar é individual, feita pelo gastropediatra a partir da história clínica.
Quando há suspeita de gastrite persistente, o exame que permite ver o estômago por dentro e coletar amostras é a endoscopia digestiva pediátrica.
E vermes? Como saber se é isso?
Verminoses ainda são comuns na infância, principalmente em crianças que frequentam creche, escola ou têm contato com terra e areia. Os sintomas podem incluir:
- Dor de barriga recorrente, muitas vezes ao redor do umbigo
- Coceira na região anal, mais à noite
- Diarreia intercalada com períodos normais
- Perda de apetite ou de peso em casos mais prolongados
- Em alguns casos, presença visível do verme nas fezes
Quando esses sintomas aparecem, vale procurar avaliação antes de dar vermífugo por conta própria. O médico decide se é preciso exame de fezes ou outro teste, e qual a conduta para cada caso.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
A avaliação inicial é clínica: histórico da diarreia, características das fezes, hidratação e exame físico. Dependendo do caso, podem ser pedidos exames de fezes e de sangue. Quando a diarreia é crônica e sem causa clara, podem entrar exames de imagem e endoscopia digestiva com biópsias. Eles ajudam a identificar alergias, intolerâncias ou inflamações no intestino.
O tratamento varia conforme a causa: hidratação nos quadros agudos e ajustes alimentares nas intolerâncias e alergias. Quando necessário, existem medicações que o gastropediatra pode indicar após avaliação.
Dra. Helen Osterne · Gastropediatra e Endoscopista Pediátrica · CRM-DF 19334 · RQE 19233
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
