Quais são os sintomas que costumam vir junto?

A dor pode ser em pontada, em cólica, contínua ou que vai e volta. Alguns sintomas costumam acompanhar:

  • Dor ao redor do umbigo, sem localização exata
  • Enjoo ou falta de apetite nos dias de dor
  • Alteração no hábito intestinal (fezes mais ressecadas ou mais amolecidas)
  • Choro ou irritabilidade em bebês menores
  • Melhora após evacuar, em muitos casos

Cada criança expressa a dor de um jeito. Bebês choram e encolhem as pernas; crianças maiores conseguem apontar o local e descrever se é fraca ou forte.

Quais são as causas mais comuns?

A maior parte das dores de barriga na infância tem causas benignas e recorrentes, não uma doença grave escondida. As mais frequentes são:

  • Constipação intestinal: fezes retidas distendem o intestino e doem.
  • Dor abdominal funcional: o intestino é sensível e reage a estresse, ansiedade ou rotina alterada, sem lesão que apareça em exame.
  • Gases e intolerâncias alimentares: alguns alimentos fermentam mais e distendem a barriga.
  • Infecções virais ou verminoses: costumam vir com outros sintomas associados.
  • Causas menos comuns, que o gastropediatra investiga quando a história e o exame físico sugerem.

Por que meu filho tem dor de barriga quase todo dia? (dor abdominal funcional)

Às vezes a dor vai e volta com frequência, por meses, e a avaliação médica não encontra outra causa. Nesse caso, o quadro costuma ser chamado de dor abdominal funcional. Isso não quer dizer que a dor é “imaginária” — ela é real, só que não vem de uma lesão visível em exame.

Esse tipo de dor é comum na idade escolar e na adolescência. Costuma piorar em dias de prova, mudança de rotina ou conflito emocional, e melhorar em férias ou fins de semana. O tratamento passa por entender os gatilhos, ajustar hábitos intestinais e alimentares e acompanhar a evolução. Muitas vezes, sem necessidade de medicação.

E a cólica do bebê recém-nascido, é a mesma coisa?

Não. A cólica do lactente é outro quadro, típico dos primeiros meses de vida. Uma forma prática de reconhecer é a “regra dos 3”: choro por mais de 3 horas por dia, em mais de 3 dias por semana, por mais de 3 semanas. Tudo isso em um bebê que, fora as crises, está bem, mama e ganha peso.

A cólica costuma aparecer no fim da tarde ou à noite. O bebê encolhe as pernas, fica vermelho e chora de forma intensa, mas passageira. Na maioria dos casos é autolimitada: melhora sozinha por volta dos 3 a 4 meses de idade, sem deixar sequela.

O que fazer em casa enquanto observo?

Algumas medidas ajudam a aliviar o desconforto e a entender melhor o padrão da dor:

  • Anote quando a dor aparece, quanto dura e o que vem antes (alimentação, evacuação, rotina).
  • Estimule a ingestão de água e fibras (frutas, verduras) se a criança já come alimentos sólidos.
  • Para bebês com cólica, tente colo, movimento suave, ambiente mais calmo e massagem na barriga no sentido horário.
  • Evite dar qualquer medicação por conta própria antes de conversar com o pediatra ou gastropediatra.
  • Observe o hábito intestinal: fezes muito ressecadas ou em bolinha merecem atenção.

Quais sinais de alerta indicam que preciso procurar o gastropediatra?

Procure avaliação o quanto antes se a dor vier acompanhada de:

  • Dor que acorda a criança à noite
  • Perda de peso ou parada no crescimento
  • Sangue nas fezes ou fezes muito escuras
  • Febre persistente junto com a dor
  • Vômitos repetidos, principalmente se forem esverdeados
  • Dor muito forte, localizada e constante (não em cólica)
  • Sinais de desidratação: boca seca, urina escassa, sonolência excessiva

Vômito verde, dor muito forte e constante ou sinais de desidratação pedem pronto-socorro, sem esperar consulta.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

A avaliação começa com uma conversa detalhada sobre a rotina, a alimentação e o padrão da dor, seguida de exame físico completo. Na maioria dos casos, isso já orienta a conduta. Quando há sinais de alerta ou dúvida diagnóstica, o gastropediatra pode pedir exames de sangue, de fezes ou de imagem. Em situações específicas, pode indicar uma endoscopia digestiva. Veja como é a endoscopia pediátrica.

O tratamento é sempre individualizado. Pode envolver ajustes na alimentação, cuidado com o hábito intestinal e orientações de rotina. Para casos específicos, existem medicações que o gastropediatra pode indicar após avaliação.

Dra. Helen Osterne · Gastropediatra e Endoscopista Pediátrica · CRM-DF 19334 · RQE 19233
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Perguntas frequentes

Cólica muito intensa no recém-nascido é sempre normal?

Na maioria das vezes sim, principalmente se o bebê ganha peso e se alimenta bem entre as crises. Mas se o choro for muito diferente do habitual, vier com vômitos, sangue nas fezes ou o bebê parecer muito abatido, vale procurar avaliação.

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